O sofrimento cristão muitas vezes nos leva a perguntar: “O que foi que eu fiz para merecer isso?”.
Quando enfrentamos enfermidades, perdas, crises familiares ou grandes decepções, é natural procurar uma explicação. Entretanto, a Bíblia nos ensina a não tratar toda dor como punição direta por algum pecado específico.
O pecado produz consequências
A Escritura afirma que aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Sem dúvida, esse princípio é verdadeiro.
Quem vive na mentira destrói a confiança. Quem alimenta a amargura colhe relacionamentos quebrados. Além disso, quem despreza a sabedoria frequentemente experimenta os frutos das próprias escolhas.
“Aquilo que o homem semear, isso também ceifará.” (Gálatas 6.7)
Nem toda dor é castigo
Contudo, esse princípio não deve ser aplicado de forma simplista a todo sofrimento. O livro de Jó é um dos maiores exemplos disso.
Os amigos de Jó acreditavam que seu sofrimento só poderia ser resultado de pecado oculto. Para eles, bastava Jó confessar sua culpa, e tudo voltaria ao normal.
No entanto, eles estavam completamente enganados.
O exemplo de Jó
Desde o início do livro, o leitor sabe que Jó não sofria por causa de algum pecado específico. Pelo contrário, Deus o descreveu como homem íntegro e temente ao Senhor.
“Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele.” (Jó 1.8)
Portanto, seu sofrimento não era evidência de rejeição divina. Antes, fazia parte de um propósito maior que Jó ainda desconhecia.
O ensino de Jesus em João 9
Algo semelhante acontece em João 9. Ao encontrar um homem cego de nascença, os discípulos perguntaram quem havia pecado: ele ou seus pais.
A resposta de Jesus desmontou aquela forma simplista de pensar.
“Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus.” (João 9.3)
Deus pode usar a aflição
Às vezes, Deus utiliza a aflição para revelar sua glória, fortalecer nossa fé, amadurecer nosso caráter e testemunhar ao mundo que Cristo é digno de confiança.
Desse modo, mesmo quando as circunstâncias parecem incompreensíveis, o Senhor continua conduzindo seu povo com sabedoria e amor.
Cristo sofreu sem merecer
O próprio Jesus sofreu. Aos olhos de muitos, sua morte na cruz parecia o castigo merecido por um criminoso.
Na realidade, porém, o único homem verdadeiramente inocente sofria pelos pecados de outros. Cristo não colhia o que havia semeado; Ele carregava a culpa que era nossa.
A cruz nos impede de interpretar todo sofrimento de forma superficial.
Examine o coração, mas não viva atormentado
Quando atravessamos tempos difíceis, devemos examinar humildemente nosso coração diante de Deus.
Se houver pecado a confessar, o Espírito Santo nos convencerá e nos conduzirá ao arrependimento. Afinal, o Senhor disciplina seus filhos em amor.
Todavia, se depois de um exame sincero não encontramos pecado específico relacionado ao sofrimento, não devemos viver atormentados tentando descobrir uma culpa escondida.
Lágrimas que se tornam sementes
Pode ser que Deus esteja realizando uma obra mais profunda, produzindo perseverança, refinando nossa fé e glorificando seu nome por meio de nossa fidelidade.
“Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão.” (Salmo 126.5)
Assim, as lágrimas do presente não são necessariamente sinais da ira de Deus. Muitas vezes, elas são sementes de uma alegria que florescerá no tempo determinado pelo Senhor.
Portanto, diante do sofrimento cristão, não caminhe em desespero nem em culpa automática.
Olhe para Cristo, confie na providência do Pai e persevere na esperança de que Deus não desperdiça nenhuma dor.
No amor de Cristo,

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