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Ansiedade e fé cristã

Quando a ansiedade ocupa o coração

Três perguntas bíblicas podem nos ajudar a examinar nossos medos, colocar as preocupações em seu devido lugar e responder a elas com fé e dependência de Deus.

01 O que estou amando?
02 Qual é o peso dessa preocupação?
03 Como estou respondendo?
Rev. Valdeci Santos em reflexão sobre como lidar com a ansiedade à luz da Bíblia
Autor

Rev. Valdeci Santos

Uma reflexão bíblica sobre ansiedade, nossos amores, o peso das preocupações e a confiança no cuidado de Deus.

Como lidar com a ansiedade em um mundo marcado por incertezas, perdas e circunstâncias que não podemos controlar? A resposta bíblica começa examinando não apenas aquilo que tememos, mas também o que acontece em nosso coração.

A ansiedade faz parte da experiência humana. Às vezes, surge diante de perigos reais. Em outras ocasiões, porém, ela é alimentada por possibilidades que talvez nunca aconteçam. Em ambos os casos, pode revelar muito sobre aquilo que ocupa nosso coração.

A Bíblia reconhece que existem preocupações legítimas. Por exemplo, Paulo elogia Timóteo por sua sincera preocupação com os irmãos em Filipenses 2.20. Além disso, o próprio apóstolo menciona sua “preocupação com todas as igrejas” em 2Coríntios 11.28.

Ao mesmo tempo, Jesus nos adverte contra uma ansiedade que domina o coração e nos faz esquecer o cuidado do Pai, como vemos em Mateus 6.25–34. Portanto, nem toda preocupação é errada, mas ela precisa permanecer em seu devido lugar.

Nesse sentido, três perguntas podem nos ajudar a lidar biblicamente com a ansiedade.

1. O que estou, de fato, amando?

Normalmente, pensamos na ansiedade apenas em termos daquilo que tememos. Entretanto, nossos medos frequentemente revelam aquilo que valorizamos. Afinal, tememos perder porque amamos alguma coisa.

Muitas dessas coisas são boas. Família, saúde, trabalho, estabilidade e relacionamentos são bênçãos legítimas. O problema começa, porém, quando um bem legítimo recebe em nosso coração um peso que somente Deus deveria possuir.

Examine o coração

O que meu medo revela sobre aquilo que estou amando?

Essa pergunta muda nossa perspectiva. Em vez de observar apenas aquilo que nos assusta, começamos também a examinar aquilo que desejamos preservar, possuir ou controlar.

“Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça.” Mateus 6.33

Jesus coloca nossos amores na ordem correta. Portanto, a ansiedade pode se tornar uma oportunidade para examinarmos não apenas nossos medos, mas também nossos amores.

2. Estou dando a essa preocupação o peso correto?

Uma preocupação pode ser legítima e, ainda assim, tornar-se desproporcional. Existe uma diferença importante entre cuidar responsavelmente de algo e permitir que essa preocupação domine nossos pensamentos e atitudes.

Por isso, esse exame exige outras duas perguntas práticas.

01

É fato ou possibilidade?

Minha preocupação está baseada em algo que realmente aconteceu ou em possibilidades que estou imaginando?

02

Qual espaço ela ocupa?

Essa preocupação está ocupando em meus pensamentos um espaço maior do que deveria?

Diferencie fatos de cenários imaginados

Primeiro, precisamos perguntar se nossa preocupação está baseada em fatos ou em possibilidades imaginadas. Paulo nos orienta a pensar em “tudo o que é verdadeiro”, em Filipenses 4.8.

A ansiedade frequentemente transforma possibilidades em certezas. A fé, por outro lado, nos chama a distinguir aquilo que sabemos daquilo que apenas imaginamos.

Não permita que amanhã consuma o hoje

Em segundo lugar, precisamos avaliar o espaço que a preocupação ocupa. Uma questão de amanhã pode consumir nossa atenção a ponto de nos impedir de cumprir os deveres de hoje.

“Quem de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?” Mateus 6.27

Assim, a ansiedade promete nos preparar para o futuro. Muitas vezes, contudo, ela produz justamente o contrário: impede-nos de viver fielmente o presente.

3. Como estou respondendo à minha ansiedade?

Nem sempre podemos impedir o surgimento de uma preocupação. No entanto, somos chamados a decidir como responderemos a ela diante de Deus.

A ansiedade pode nos levar ao isolamento, à irritação, ao desejo de controlar pessoas e circunstâncias ou à construção de intermináveis cenários imaginários.

A Escritura, porém, aponta outro caminho.

“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições.” Filipenses 4.6

“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” 1Pedro 5.7

Portanto, a resposta cristã não consiste simplesmente em dizer: “Pare de se preocupar”. Em vez disso, a Palavra nos conduz a responder à preocupação diante do próprio Deus.

Preocupação ↓ Oração
Medo ↓ Confiança
Controle ↓ Dependência

Isso não elimina nossa responsabilidade. Pelo contrário, oramos e trabalhamos; confiamos e planejamos; descansamos em Deus e cumprimos nossos deveres.

Dessa forma, aprender como lidar com a ansiedade biblicamente não significa abandonar responsabilidades, mas exercê-las sem assumir o lugar que pertence somente a Deus.

A fé dirige os olhos para quem governa o futuro

Confiança para hoje

Não precisamos carregar como senhores aquilo que somente Deus pode governar

A ansiedade fixa os olhos em um futuro que não conhecemos. A fé, por outro lado, dirige nossos olhos para o Deus que conhece o futuro, governa todas as coisas e cuida de nós.

Portanto, quando a ansiedade surgir, podemos examinar nossos amores, avaliar o peso que estamos dando às preocupações e observar como estamos respondendo a elas.

A fé não exige que conheçamos o futuro. Ela nos chama a confiar naquele que conhece o futuro e permanece soberano sobre ele.

Assim, compreender como lidar com a ansiedade à luz da Bíblia não significa negar as preocupações reais da vida. Significa levá-las a Deus, cumprir fielmente nossas responsabilidades e descansar em seu cuidado.

Não precisamos carregar como senhores aquilo que somente Deus pode governar. Podemos orar, planejar e trabalhar, enquanto descansamos naquele que conhece nossas necessidades e cuida de seus filhos.

No amor de Cristo,
Rev. Valdeci Santos

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