Quando a caminhada na santificação vira um rastejar

postado em: Pastorais
Quando a caminhada na santificação vira um rastejar
Rev. Valdeci Santos

Rev. Valdeci Santos

Das muitas lições que aprendi com David Powlison, há uma que sempre visita minha mente: a importância da direção, não da velocidade, na santificação. A melhor maneira de explicar esse conceito inclui a consideração de que na vida cristã, com frequência somos tentados a medir nosso crescimento espiritual pelos critérios errados. Perguntamos a nós mesmos quanto já avançamos, por que não estamos crescendo mais rápido ou por que outros parecem progredir mais do que nós. No entanto, a Escritura nos conduz a um parâmetro muito mais profundo e seguro: Deus não avalia primariamente a velocidade do nosso progresso, mas a direção do nosso coração.

“O que mais importa na santificação não é a distância já percorrida, nem o ritmo da caminhada, nem mesmo o tempo de conversão. O que realmente importa é se estamos caminhando na direção de Cristo.”

O que mais importa na santificação não é a distância já percorrida, nem o ritmo da caminhada, nem mesmo o tempo de conversão. O que realmente importa é se estamos caminhando na direção de Cristo. É possível haver crescimento verdadeiro mesmo quando ele parece lento, imperceptível ou até mesmo interrompido aos nossos olhos.

A Experiência Cristã Não É Uniforme

A experiência cristã, de fato, não é uniforme. Há momentos em que avançamos rapidamente. Em certas fases da vida, Deus concede vitórias evidentes sobre pecados específicos, mudanças concretas de comportamento e uma alegria espiritual intensa. São períodos que poderíamos descrever como “saltos de gazela”, nos quais a transformação é clara e encorajadora.

Entretanto, há também fases mais comuns e duradouras em que o crescimento ocorre de maneira constante e progressiva. Nelas, aprendemos a verdade de Deus, enfrentamos nossos medos, desenvolvemos disciplinas espirituais, amadurecemos no serviço ao próximo e crescemos em sabedoria. Esse progresso, embora menos espetacular, é profundamente sólido e desejável.

Quando a Caminhada se Torna Pesada

Por outro lado, existem períodos em que a caminhada se torna pesada. O avanço parece lento, quase imperceptível. Velhos padrões de pensamento, desejos ou temores persistem. Em tais momentos, o cristão pode sentir-se como alguém que manca, que luta para dar pequenos passos. Ainda assim, se essa caminhada, por mais difícil que seja, permanece na direção correta, ela é preciosa diante de Deus.

Há ocasiões ainda mais difíceis, nas quais o crente parece apenas se arrastar. O progresso é doloroso, e a sensação é de quase imobilidade. Em certos momentos, pode até parecer que não há movimento algum. Contudo, mesmo nessas circunstâncias, se o coração permanece voltado para o Senhor, há evidência da graça operando.

“No fim, a santificação não é definida pela velocidade do nosso progresso, mas pela direção sustentada pela graça de Deus.”

No fim, a santificação não é definida pela velocidade do nosso progresso, mas pela direção sustentada pela graça de Deus. E aqueles que perseveram nessa direção, ainda que com passos vacilantes, chegarão ao destino final: ver o Senhor face a face e serem transformados à sua semelhança.

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