Bondade sem cálculos
As boas obras não compram a bênção de Deus. Elas revelam a graça que o próprio Senhor já está realizando em seus filhos.
Um amor cristão sem interesses não transforma a bondade em uma negociação com Deus.
Talvez você já tenha feito uma gentileza e, em algum momento, tenha se perguntado: “Será que Deus está vendo isso para me abençoar depois?”.
Essa dúvida pode surgir quando ajudamos um amigo, socorremos um vizinho, contribuímos com a igreja ou oferecemos nossos recursos a alguém em necessidade.
Entretanto, buscar as promessas de Deus não transforma necessariamente a fé em um balcão de negócios. A Bíblia apresenta as recompensas divinas não como salários merecidos, mas como expressão da bondade do Pai para com seus filhos.
Deus nunca fica devendo nada a ninguém
No mundo do trabalho, existe uma relação de obrigação. O empregador deve o salário porque recebeu o tempo e o esforço do trabalhador.
Com Deus, porém, a relação é completamente diferente. Tudo o que somos e possuímos já veio dele.
“Quem primeiro deu a ele, para que lhe seja restituído?” Romanos 11.35
Portanto, não podemos colocar Deus em dívida conosco. Até mesmo os recursos que utilizamos para servir foram primeiramente recebidos de suas mãos.
Fazer o bem não acumula créditos diante de Deus; expressa gratidão por tudo aquilo que já recebemos dele.
Nossas boas obras não compram o favor de Deus
Quando estendemos a mão a alguém, não estamos depositando um crédito em uma conta celestial para receber algo maior depois.
Pelo contrário, estamos utilizando com gratidão a vida, o tempo, os dons e os recursos que o próprio Pai nos concedeu.
Troca
Não fazemos o bem para colocar Deus na obrigação de nos conceder determinada bênção.
Crédito espiritual
A generosidade cristã não funciona como um sistema de pontos acumulados diante do Senhor.
Gratidão
Servimos porque já recebemos abundantemente da graça, da provisão e do amor de Deus.
Até o desejo de fazer o bem vem da graça
A própria vontade de fazer aquilo que agrada ao Senhor não nasce de uma independência espiritual. O Espírito Santo trabalha em nosso coração.
Paulo reconhecia essa realidade ao olhar para seu próprio ministério.
“Trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.” 1 Coríntios 15.10
Além disso, o apóstolo ensina que Deus age não apenas em nossas ações, mas também em nossos desejos.
“Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” Filipenses 2.13
Isso muda a maneira como enxergamos a pessoa necessitada. Ela deixa de ser um meio para alcançarmos determinada bênção. Em vez disso, passa a ser alguém a quem podemos amar com o amor que Deus já está produzindo em nós.
A boa obra aponta para Deus, não para nós
Se Deus fornece os recursos, transforma nossos afetos e nos capacita a servir, então não podemos reivindicar a glória final pela boa obra.
Naturalmente, continuamos sendo responsáveis por nossas escolhas e ações. Contudo, a graça permanece como a fonte de tudo aquilo que verdadeiramente agrada ao Senhor.
Os recursos
Tempo, dinheiro, saúde, capacidades e oportunidades pertencem primeiramente ao Senhor.
O coração
O Espírito nos ensina a enxergar necessidades e desejar servir com amor.
A glória
A boa ação deve conduzir nossa atenção novamente à graça daquele que a tornou possível.
Então, por que Jesus fala em recompensa?
Jesus realmente promete recompensas aos seus discípulos. Portanto, não precisamos fingir que essas promessas não existem ou que seria errado levá-las a sério.
“Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás bem-aventurado […] porque a tua recompensa será na ressurreição dos justos.” Lucas 14.13–14
Entretanto, essa recompensa não funciona como pagamento por um serviço prestado. Deus não liquida uma dívida conosco.
Antes, a recompensa expressa o prazer do Pai em reconhecer aquilo que sua própria graça produziu na vida de seus filhos.
A recompensa de Deus não é salário por mérito; é expressão da bondade do Pai para com seus filhos.
Pratique a bondade sem medo e sem cálculos
A vida com Cristo não é uma troca comercial. Deus permanece como a fonte de toda graça e aquele que nos capacita a amar.
Por isso, podemos abrir nossa casa, ofertar, socorrer alguém ou simplesmente oferecer tempo e atenção sem transformar essas ações em investimentos para obter vantagens futuras.
Ao mesmo tempo, não precisamos ter medo de esperar nas promessas do Senhor. Confiar que Deus recompensa seus filhos não significa negociar com ele.
Significa crer que o Pai é bom, vê a fidelidade de seus filhos e se alegra quando eles refletem seu caráter.
Um amor que não precisa fazer contas
As bênçãos do céu não pagam dívidas; elas coroam aquilo que a própria graça de Deus realizou em nós.
Portanto, pratique a bondade com o coração leve. Sirva sem transformar pessoas em meios para alcançar vantagens espirituais.
Quando surgir uma oportunidade de ajudar, lembre-se de que Deus não lhe deve nada. Contudo, ele se agrada profundamente de ver seus filhos vivendo em amor.
Assim, o amor cristão sem interesses não calcula aquilo que poderá receber. Ele olha para a graça já recebida e encontra nela liberdade para repartir.
No amor de Cristo,
Pr. Jader Santos
